" O Amor é essencial, O Sexo, acidente;Pode ser igual, Pode ser diferente"
Fernando Pessoa

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Padre espanhol homofóbico é pego em foto comprometedora e afastado de suas funções.

Tem coisa aí ou não?

por Redação MundoMais

O padre Torres (dir.) e Delgado, em foto comprometedora na internet.O padre Torres (dir.) e Delgado, em foto comprometedora na internet.
ESPANHA - A Igreja Católica já se cansou de encobrir casos de seus incontáveis padres gays. Mas quando o padre é homofóbico tudo muda de figura, já que a “comunidade gay” teria motivos de sobra para fazer barulho sobre o caso. É o que anda acontecendo na Espanha, mais precisamente na cidade de Fuenlabrada (perto de Madri). Um padre da diocese local, conhecido por seu discurso anti-gay, foi afastado de suas funções depois que uma foto comprometedora que mostra ele e um belo seminarista cubano caiu na internet, e foi amplamente divulgada por sites gays espanhóis.
O padre Andreas Garcia Torres, de 46 anos, não gostou nadinha da polêmica e propôs um desafio: disse que gostaria que analisassem o diâmetro de seu próprio ânus para provar que ele não é nada gay e que o resultado deste exame convenceria seus superiores da diocese já que seu ânus “não está dilatado”.
O seminarista chama-se Yannick Delgado, tem 28 anos, nasceu em Cuba, e está sem camisa ao lado do pároco, que também resolveu ficar sem a peça para a foto realizada ano passado no Santuário de Fátima, em Portugal.
Tenho uma amizade normal com este menino. Este foi o único dia que eu estive com ele. Tiramos uma foto de nós mesmos, sem camisas, e foi isso que deu origem à confusão, declarou o padre.
A diocese de Getafe exigiu que o padre fizesse exames para verificar se tem o vírus HIV e o encaminhou a um tratamento psiquiátrico. O psiquiatra me perguntou de forma humilhante se os meus pais me tinham estuprado quando era criança ou se eu os tinha visto a ter relações sexuais, disse.
Torres tem textos na internet que afirmam que homossexuais são “intrinsecamente maus e perversos”.
A foto comprometedora estava no computador de Yannick e “vazou”. Ela estava no meu computador, e eu nem sequer a postei no Facebook, disse. O cubano declarou que considera o padre como “um pai adotivo”.
A diocese comunicou que Torres foi afastado por “problemas pastorais”.

http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=2361

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Bancada evangélica quer barrar casamento gay em igreja

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo, a bancada evangélica quer incluir na legislação brasileira um dispositivo para impedir explicitamente que igrejas sejam obrigadas a celebrar cerimônias de casamento entre homossexuais. Para integrantes do movimento LGBT, a medida visa tirar o foco da discussão sobre os direitos civis dos homossexuais.
O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), afirma que a proposta visa evitar constrangimentos para a religião. Ele afirma que a intenção é evitar a existência de decisão judicial obrigando a realização de cerimônia. "Seria bom tornar isso explícito para evitar que algum juiz preconceituoso atendendo a alguma demanda específica possa dar uma sentença impondo uma ação dessa a alguma igreja".
Campos afirmou que em Goiânia já houve um caso de decisão liminar obrigando uma igreja evangélica a realizar casamento de pessoas que não seguiam a igreja e que isso pode acontecer também no caso de homossexuais. A frente presidida por Campos conta com 76 deputados e três senadores.
O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que é homossexual assumido, afirma que a proposta visa desviar o foco da discussão sobre os direitos civis. "Isso é desespero para confundir a opinião publica, para jogar união publica contra o direito civil. O direito é publico, a fé é privada. Nenhum homossexual quer casar em igreja".

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Brasil: Homofobia, Religião e Política

Em meio à onda de violência homofóbica que vem crescendo no Brasil, colocando o país na liderança mundial de crimes contra a comunidade LGBT - conforme reportado no primeiro artigo desta série dedicada ao panorama LGBT - o deputado federal Jean Wyllys, primeiro gay assumido a chegar ao parlamento, propôs um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que pretende legalizar o casamento para pessoas do mesmo sexo.
Ao mesmo tempo, declarações recentes de alguns parlamentares, grupos de extrema direita e representantes religiosos, que se opõem a esse e outros avanços legislativos na questão LGBT, deixaram a blogosfera indignada com o ódio e preconceito manifestados.
Imagem partilhada no blog Wihhy's.
Imagem partilhada no blog Wihhy's.
Pregando o preconceito
"Alerta! Liberdade religiosa ameaçada Ditadura gay no Brasil Vote contra diga não!" do blog Amigo de Cristo
"Alerta! Liberdade religiosa ameaçada Ditadura gay no Brasil Vote contra diga não!" do blog Amigo de Cristo
Grupos evangélicos e a Igreja Católica vem se opondo ao PLC122, considerando-o o início de uma “Ditadura Gay”, impondo a homossexualidade à totalidade da população e, ainda, servindo como mordaça à pregações de caráter homofóbico em templos e igrejas.
Sobre a questão, Paulo Cândido, escrevendo para o Biscoito Fino e a Massa, critica a “falta de argumentos” e a “retórica vazia”  da “direita religiosa”:
que mal esconde seu ódio e sua intenção de impor a moral de uma religião à sociedade como um todo.
Robson Fernando, escrevendo para o blog Acerto de Contas, acrescenta:
Fora a visão utilitária, influenciada pela moral cristã, que os anti-LGBT possuem da sexualidade – segundo os quais o sexo teria função estritamente reprodutiva –, a homofobia e o alegado “direito de criticar a homossexualidade” têm tudo em comum com a intolerância religiosa e o suposto “direito” de alguém discordar que as pessoas possam seguir outras crenças.
Os casos de homofobia, porém, transcendem as igrejas e templos, chegando até mesmo à política. Uma das figuras que faz a ponte entre as duas instituições é o Pastor Evangélico e Deputado Federal, Marco Feliciano. Feliciano se envolveu em diversas polêmicas depois de usar o Twitter para fazer diversas declararações racistas e homofóbicas, como aponta o jornalista Paulo Lopes,  ao citá-lo: “amamos os homossexuais, mas abominamos suas práticas promíscuas”.
Homofobia com representação parlamentar

"Não discuto promiscuidade! Filho meu é bem educado e não corre o risco de se apaixonar por negras ou gays!" Cartoon de Carlos Latuff.
"Não discuto promiscuidade! Filho meu é bem educado e não corre o risco de se apaixonar por negras ou gays!" Cartoon de Carlos Latuff.
O deputado federal, Jair Bolsonaro, filiado ao Partido Progressista do Rio de Janeiro, recentemente se envolveu em uma polêmica, ao defender o direito dos pais de baterem em seus filhos para evitar que estes virem gays.
A Rede Brasil Atual sumariza as declarações mais polêmicas de Bolsonaro, em recente entrevista ao programa humorístico CQC (o vídeo pode ser visto aqui):
(…) fez declarações homofóbicas em um vídeo exibido pelo programa CQC, da TV Bandeirantes, nesta segunda-feira (28). Para Bolsonaro, ele não correria o risco de ter um um filho gay, pois seus filhos tiveram “uma boa educação, com um pai presente”. Ele também afirmou que não participaria de um evento homosexual porque “eu não participo de promover os maus costumes (sic).
Defensor de políticas de extrema-direita e ex-capitão do exército, Bolsonaro tem o costume de insultar defensores dos Direitos Humanos e de defender a tortura sem, porém, jamais ter sido punido por seus pares.
O blogueiro José Márcio Dias de Alencar escreveu uma Carta Aberta ao Deputado:
O senhor, futuro ex-deputado Jair Bolsonaro, representa tudo que o Brasil hoje mais abomina. E todos os 120 mil eleitores que o colocaram em seu sexto mandato deveriam são totalmente responsáveis por esse grotesco show de horrores protagonizado em nossa recente democracia. Irônico um ex-militar que apóia e se diz saudosista da ditadura dependender tanto da democracia pra viver,  não? São 120 mil pessoas que pregam o racismo, a homofobia e a misoginia.
Pelo Twitter, a atriz e cantora Preta Gil, ofendida por Bolsonaro em vídeo veiculado pelo programa CQC, anunciou que irá processar Bolsonaro por suas declarações, ao que este respondeu ter sido mal interpretado e que não havia entendido. Jair Bolsonaro se defendeu em seu site, negou que tenha ofendido a cantora Preta Gil.

Na noite do dia 29 de março, um grupo de parlamentares, dentre eles Jean Wyllys, Brizola Neto, Manuela d'Ávila e Ivan Valente, apresentou um requerimento ao presidente da Câmara dos Deputados pedindo que se tomem medidas contra o deputado Jair Bolsonaro.
Neonazistas, Fascistas e “Nacionalistas”
Imagem do autor.
Imagem do autor.
As declarações do Deputado Jair Bolsonaro causaram o efeito desejado, e em sua defesa diversos grupos de extrema-direita organizaram uma manifestação na Avenida Paulista e vêm organizando outros contra o PLC 122, em defesa da família e do direito ao preconceito.
Grupos como Ultra Defesa, União Nacionalista, Kombat RAC - Rock Against Communism (Rock Contra o Comunismo), Carecas do Subúrbio, Integralistas e Skinheads Nazistas se reuniram para defender o deputado e a “família”, contra a “Ditadura Gay” e as tentativas de se criminalizar a homofobia.
Ao fim do protesto, ao menos 6 pessoas ligadas à extrema-direita e grupos de ódio foram presas, o que levou Eduardo Guimarães, do blog Cidadania, a comentar:
[os manifestantes acabaram se] deparando com uma contramanifestação de defensores dos direitos dos homossexuais, um ato corajoso e insensato porque, do outro lado, havia criminosos conhecidos e procurados, o que gerou uma dezena de prisões de bolsonaretes. Em nenhuma outra parte do país, neonazistas e skinheads, entre os quais devem estar os que vêm aterrorizando homossexuais na avenida Paulista, teriam coragem de sair assim tão abertamente à luz do sol.
Um protesto liderado por movimentos LGBT, além de militantes de diversos segmentos da esquerda, foi organizado no mesmo dia e horário do protesto dos Nazi-Fascistas, exigindo um enorme contingente policial para separar os dois grupos.
O deputado federal Jean Wyllys, em carta publicada no blog Brasília, eu vi, do jornalista Leandro Fortes, apela a “defesa da Dignidade Humana (…) princípio soberano da Constituição Federal” e afirma:
(…) o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais.
Apesar de todo este cenário, resta esperança. O PEC proposto por Jean Wyllys, e outras iniciativas visando a criminalização da homofobia, prometem não só acender o debate sobre a legalização do casamento para pessoas do mesmo sexo, como também promover uma maior igualdade entre todos os cidadãos, independentemente da sua orientação sexual.
As discussões e movimentos pela aceitação LGBT, que já tomam lugar tanto no parlamento como pela sociedade civil, estarão em foco no próximo, e terceiro, artigo da série Panorama LGBT em Debate.
Escrito por Raphael Tsavkko Garcia

terça-feira, 12 de abril de 2011

Professor italiano diz que os gays foram os culpados pela queda de Império Romano.

A culpa é dos gays


por Redação MundoMais

Mattei:repreensão por declarações polêmicas.Mattei:repreensão por declarações polêmicas.

ITÁLIA - O professor Roberto de Mattei está sofrendo repreensão e pode ser demitido por causa de uma declaração que fez durante uma entrevista, quando afirmou que os gays foram os responsáveis pela queda do império romano.
O professor de 63 anos, que é vice-presidente do Centro Nacional de Pesquisa de Roma, disse que "o colapso do império romano e a chegada dos bárbaros foi devido à disseminação da homossexualidade. A colônia romana de Cartago era um paraíso para os homossexuais e eles infectaram muitas outras [colônias]. A invasão dos bárbaros foi vista como punição por estas transgressões morais".
Por causa desta declaração, alguns grupos LGBTs e políticos italianos estão pedindo a demissão do professor.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Diversidade sexual e religião


Padre jesuíta afirma que é possível dialogar sobre o assunto.
por Redação MundoMais


Ao analisar a forma como a Igreja aborda temas como a diversidade sexual, o padre jesuíta Luís Corrêa Lima disse, na entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line, que “nós só podemos saber o que a Palavra de Deus significa para nós hoje, e que implicações ela tem, com um suficiente conhecimento da realidade atual, que inclui a visibilização da população LGBT”. Ele relembra uma carta do Vaticano aos bispos, do ano de 1986, mencionando que “nenhum ser humano é mero homossexual ou heterossexual. Ele é, acima de tudo, criatura de Deus e destinatário de Sua graça, que o torna filho Seu e herdeiro da vida eterna”.
O pesquisador destaca, ainda, uma declaração do Papa Bento XVI, dizendo que “o cristianismo não é um conjunto de proibições, mas uma opção positiva”. Segundo ele, o Papa acrescentou “que é muito importante evidenciarmos isso novamente, porque essa consciência hoje quase desapareceu completamente. É muito bom que um Papa tenha reconhecido isto. Há no cristianismo uma tradição multissecular de insistência na proibição, no pecado, na culpa, na condenação e no medo”.
Corrêa Lima frisa que não cabe “encaminhar os gays a terapias de reversão ou a ‘orações de cura’, que frequentemente são formas escamoteadas de exorcismo. No diálogo ecumênico e inter-religioso da Igreja, recomenda-se conhecer o outro como ele quer ser conhecido, e estimá-lo como ele quer ser estimado. O conhecimento e a estima recíprocos são também o melhor caminho para o diálogo entre a Igreja e o mundo gay”.
E completa: O grande desafio da diversidade sexual é fazer-se compreender pela sociedade, não como uma ameaça, mas como uma pluralidade existente na condição humana que enriquece o mundo. No fundo, as pessoas querem ser elas mesmas, reconhecidas e aceitas pelos outros.
Formado em Administração, Filosofia e Teologia, Luís Corrêa Lima também é mestre em História Social da Cultura pela PUC-Rio, onde é professor desde 2004, e doutor em História pela Universidade de Brasília – UnB. É autor de Teologia de Mercado – uma visão da economia mundial no tempo em que os economistas eram teólogos (Bauru: EDUSC, 2001).
Questionado sobre sua opinião acerca do que a fé cristã tem a dizer sobre a diversidade sexual, ele responde: Toda violência física ou verbal contra a diversidade é deplorável, merecendo a condenação dos pastores da Igreja onde quer que se verifiquem. A oposição doutrinária que possa haver às práticas homoeróticas não elimina esta dignidade fundamental do ser humano. Deus criou a todos. O Cristo veio para todos e oferece o seu jugo leve e o seu fardo suave. Cabe a nós, com fidelidade criativa, conhecermos e darmos a conhecer estes dons divinos.

http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=2061

domingo, 13 de março de 2011

Eu vos declaro marido e marido



Poucos ódios são tão declarados e viscerais quanto o que sentem os mais cristãos contra os homossexuais.

Estapafúrdias figuras esse pastores de ego ptolomaico e voz rasteiramente confortante que com uma mão levantam a bíblia e com a outra batem à mesa cuspida acidentalmente pelos brados coléricos que falam insistentemente da “vontade de Deus”.

Não se dão conta, mas seus argumentos levam à conclusão que, em Sua magnificência, haveria Ele de ser o responsável pela existência das flores, das estrelas e, da mesma maneira, dos homossexuais.

Neste caso, não sendo Ele responsável, não restaria, por ventura, a pecha de “irresponsável”? Afinal, que linhas tortas são essas com que Deus escreve a história de milhares e milhares de crianças abusadas sob o teto das igrejas, vítimas daqueles que falam em Seu nome? Só nos Estados Unidos são 4 mil padres acusados formalmente de abuso de um total de 10 mil crianças.

Que divina matemática é essa que chega à conclusão de intervir contra o amor verdadeiro e recíproco de dois adultos e permite a metástase da pedofilia no corpo da igreja?

Não se enganem. Quando séculos se arrastaram e a única decisão da igreja foi esconder os abusos e estupros de crianças, isso é permissão.

Quando por 20 anos o cardeal Ratzinger, hoje Papa, foi o encarregado de zelar pela obediência aos termos do “Crimen Sollicitationis”, documento secreto enviado aos bispos do mundo inteiro que os orientava a manter sigilo, remanejar os algozes de menores e ameaçar delatores de excomunhão, isso é permissão.

Quando, na tentativa de resguardar os velhos alicerces da igreja, esta fez o possível para que os recorrentes casos fossem vistos como fatos isolados, isso é permissão.


www.ironias.com.br


Permitamo-nos, pois, a heresia de atestar que o grande e evidente defeito de Deus são seus interlocutores; esses pedantes misóginos; esses pedófilos acobertados pelo manto do Papa; esses canalhas que fazem fortunas catedráticas da aspereza da vida alheia e condenam multidões a confiar-lhes cegamente a palavra, mesmo que esta seja de ódio; esses pastores deputados que fazem de tudo para desviar o País do caminho inevitável e natural e lutam contra a criminalização da homofobia e a união civil/casamento entre homossexuais.

É por isso que, por enquanto, o único gay que tem permissão para casar no Brasil é mesmo o padre. Casar os outros.

Não tarda o dia, porém, em que olhares apaixonados e comoventes hão de se cruzar cintilantes quando o sacristão disser essas doces palavras:

“Eu vos declaro marido e marido”.




Em 09/03/11, 15:07 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

RELIGIÃO X HOMOSSEXUALIDADE

Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Troco
Igreja Cristã Contemporânea inicia campanha sobre família homossexual em resposta a outdoor de Malafaia
por Redação MundoMais
DivulgaçãoCartaz da Igreja Cristã Contemporânea

RIO DE JANEIRO – Em resposta aos cerca de 200 outdoors do pastor Silas Malafaia, da Associação Vitória em Cristo (Avec), que atacava os homossexuais com a máxima Em favor da família e preservação da espécie humana. Deus fez macho e fêmea, em outdoors espalhados pelo Rio de Janeiro, a Igreja Cristã Contemporânea resolveu dar o troco.
Com isso, lançou a campanha a favor da adoção de crianças por homossexuais com o slogan Deus nos fez assim para que déssemos continuidade a algumas famílias, macho que gosta de macho e fêmea que gosta de fêmea. A campanha foi iniciada no site da Igreja Cristã Contemporânea.
"Deus fez macho e fêmea e pela mesma Bíblia encontramos todo respaldo para dizer que Deus fez também machos que preferencialmente se atraem por outros machos e fez fêmeas que preferencialmente se atraem por outras fêmeas. Qual a dificuldade em entender esta questão?", questiona o pastor Marcos Gladstone da Igreja Cristã Contemporânea.
Sem ser tão rica quanto à campanha publicitária religiosa de Silas Malafaia, a campanha da Contemporânea, além do próprio site, será em torno de panfletos e de um banner durante a Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, no próximo dia 14.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Bate-boca religioso e eleitoral

Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010
ELEIÇÕES 2010

Bispo Edir Macedo questiona posição do pastor Silas Malafaia de apoiar Serra e criticar Dilma Rousseff e o PT
por Redação MundoMais
ReproduçãoEdir Macedo questiona e Silas Malafia explica, mas não justifica


SÃO PAULO – O bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) Edir Macedo questionou o posicionamento do rabugento e homofóbico pastor Silas Malafaia, dono Associação Vitória em Cristo (Avec), no seu posicionamento de apoiar José Serra (PSDB-SP) e atacar Dilma Rousseff (PT-RS) na disputa presidencial.
Com passagens bíblicas, Macedo chama Malafaia de “profeta velho”, que tem como principal característica “o engano”. O bispo escreveu no seu blog que Malafaia começou a campanha apoiando Marina Silva (PV-AC) e, depois, se debandou pra o lado do candidato tucano.
“Usando o argumento frágil de que o partido dela, o PV, apoiava o aborto, mudou de lado e, para justificar que não apoiaria a candidata Dilma, acusou o PT de ser a favor do aborto e apoiar o casamento de homossexuais. Pronto, o caminho estava aberto para, sabe-se lá com que interesse, apoiar o candidato Serra”, dispara Macedo.
Teologicamente Ignorante – Para mostrar a contradição do pastor Malafaia, o Bispo Macedo comentou que o próprio Serra disse ser a “favor do casamento de homossexuais”, e questiona: “Agora ficam as perguntas: O que fez o pastor Malafaia mudar de lado? Ele vai continuar apoiando o Serra?” Em um vídeo no seu site, Malafaia – que já apareceu na semana passada no horário eleitoral do tucano na TV – chama o bispo de “teologicamente ignorante” e de “falso profeta”. Sobre a mudança de Marina para Serra, “U nunca disse que o PT apoia co casamento homossexual. O que eu disse é que o PT lutou por quatro anos para apoiar o PLC-122/06”, vociferou Malafaia.
Para defender o candidato Serra, o pastor Malafaia mostra que sabe diferenciar “união civil homossexual” e “casamento homossexual”. Ele diz que ambos os candidatos nunca apoiaram o “casamento homossexual”. Este por se tratar de uma celebração religiosa. Malafaia, no entanto, não cita o posicionamento de Serra sobre o PLC-122/06, que prevê a punição da homofobia no Brasil.
De olho em um canal de TV – Ele ainda acusou o bispo Macedo de promover o “homossexualismo” no seu canal de TV, a Rede Record. Ainda acusa o bispo de usar o dinheiro da Iurd para financiar a Record. Malafaia, que é dono da maior editora evangélica do Brasil – a Central Gospel – e apresenta o programa Vitória em Cristo, transmitido pela Band. Sua maior ambição é conseguir, como Macedo, uma emissora de TV. Em junho, o asqueroso Malafaia já articulou o projeto Clube 1 Milhão de Almas, que doaria R$ 1 mil e ele arrecadar R$ 1 bilhão. A meta é por no ar um canal com programação religiosa em 137 países, conforme informou a coluna Ooops! do UOL, na época.


Se tiver estômago, veja o vídeo do pastor Silas Malafaia. Ui!

Fonte: http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=1753 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Papa Bento 16 se encontra com líderes de Uganda _mas desconsidera violência anti-gay


 Papa Bento 16 não está nem aí para a lei que pode matar os homossexuais de Uganda
Reprodução
Bento 16: nem aí para ameaças aos gays de Uganda
Bento 16: nem aí para ameaças aos gays de Uganda
 
O Papa Bento 16, quem diria, entrou na polêmica internacional em torno dos direitos humanos em Uganda. O país africano está em pé de guerra com organizações internacionais por conta da aprovação de leis que punem homossexuais (com prisão perpétua e morte, em alguns casos).

A verdade é que até agora a pressão das organizações internacionais conseguiu barrar a aprovação destas leis, mas não garantiu uma revanche sem precedentes da população contra os homossexuais no país. Tanto é que um tablóide local publicou uma lista de 100 homossexuais moradores da capital com foto e endereço de cada um e os dizeres: enforque-os.

E o que o Papa tem a ver com isso? Ora, ele se encontrou nesta semana com líderes da Igreja e da política de Uganda e NÃO tocou no assunto.

Em vez disso, ele convidou os bispos a "encorajar os católicos de Uganda para apreciar plenamente o sacramento do matrimônio na sua unidade e indissolubilidade, e ao sagrado direito à vida". Ele também pediu a eles "para resistir à sedução de uma cultura materialista do individualismo que se enraizou em muitos países".

Existem motivos pelos quais o Papa não tocou no assunto. O principal no momento é o temor que a Igreja tem de perder mais fieis na África, que vê crescer o número de igrejas evangélicas e mulçumanas (que, inclusive, possuem um discurso mais duro contra homossexuais e já declararam apoio à lei anti-gay).
 
Por : Nicolas Contatto  
 
Fonte:  http://mixbrasil.uol.com.br/lifestyle/papa-bento-16-se-encontra-com-lideres-de-uganda-mas-desconsidera-violencia-anti-gay.html 


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pastor gay fala sobre homofobia dentro das igrejas

18/10/2010 - 12h21
Por : Marcos Gladstone
Em artigo, pastor reflete sobre os perigos da homofobia religiosa Em artigo, pastor chama atenção para os vários perigos da homofobia religiosa
Gladstone: preocupação com suicídio
Gladstone: preocupação com suicídio
A democracia nos torna cidadãos e o Evangelho nos torna irmãos!

Mais de cem homossexuais são mortos anualmente por crimes de ódio e este tema fica fora da campanha presidencial, tal situação foi veiculada no último fim de semana pelo jornal “O Globo” em tom de clara preocupação com o desenrolar dos acontecimentos, já que está havendo um considerável retrocesso em termos de aceitação da comunidade LGBT. Por derradeiro, as pesquisas mostram um aumento de 62% de crimes de ódio aos homossexuais desde 2007 até agora.


Confesso que o que mais me preocupa nesta trágica situação é indução ao suicídio, já que há um evidente fomento por parte de setores religiosos para que homossexuais caminhem para a morte. Afinal, se eles (gays) não podem ser o que são passam a crer que não há outro jeito senão morrer fisicamente ou na forma emocional sofrendo durante toda a vida por se acharem uma anomalia. Pesquisas norte-americanas já revelaram que 30% dos adolescentes que cometiam suicídio nos EUA o faziam por conta de serem gays.

Imagine, por exemplo, um negro ser demonizado e patologizado bem como ser violentado emocionalmente todos os dias por causa da sua cor. Entretanto, já existem em nosso País leis contra o racismo que protegem este cidadão negro, mas a recíproca não é verdadeira em se tratando de homossexuais. Deus fez macho e fêmea e pela mesma Bíblia encontramos respaldo para dizer que Deus fez também machos que preferencialmente se atraem por outros machos e fez fêmeas que preferencialmente se atraem por outras fêmeas. Qual a dificuldade em entender esta questão?

Convém ressaltar que amar e aceitar o gay como é não significa qualquer ameaça a família, pois formamos famílias por vezes muito mais estruturadas que muitos lares ditos “normais”?, já que na última campanha alguns parlamentares homofóbicos diziam lutar contra os gays porque defendiam a “família normal”. Será meu companheiro e eu não somos “normais” uma vez que constituímos um núcleo familiar e inclusive estamos em processo de adoção conjunta de uma criança.

Por outro lado, os homossexuais não constituem ameaça a procriação precisamente porque Deus os constituiu enquanto minoria e assim podemos seguir os planos de Deus normalmente. Não queremos revolucionar o mundo. Mas queremos transformá-lo através da inclusão, não da supressão de uma maioria por uma minoria. Minoria expressiva e que enquanto tal possui os mesmos direitos da maioria justamente por que no jogo democrático somos plurais e singulares ao mesmo tempo: “unum et pluribum!”. As diferenças nos singularizam, a democracia nos torna cidadãos e o Evangelho nos torna irmãos!

O que fazer quando os maiores motivadores de abusos contra homossexuais são os religiosos homofóbicos? Há estudos importantes que vêm sendo desenvolvidos, especialmente no Museu Nacional, de âmbito sociológico e antropológico no sentido de comprovar a obra destrutiva que a homofobia religiosa, especialmente no setor evangélico, vem promovendo. Calar-se diante disso seria mais do que covardia, seria um crime.

Claro que não é fácil ser diferente! Mais difícil é assumir publicamente essa diferença em se tratando de homossexualidade devido ao preconceito. Às vezes me perguntam como conseguir tal proeza.

Na minha experiência pessoal falar da minha orientação sexual publicamente foi um meio de protestar contra o sistema da homofobia religiosa, sobretudo “evangélica”. Um protesto que começou há alguns anos, após um pedido de um jovem rapaz que me solicitou para que nunca mais me calasse, já que se ele soubesse deste amor de Deus a todos, sem preconceitos, estaria livre das marcas da homofobia religiosa estampadas em ambos os braços na forma de visíveis cicatrizes de navalha resultantes de uma terrível tentativa de suicídio após uma terapia evangélica para “cura” de homossexuais. Daquele encontro prometi a mim mesmo que jamais me calaria doesse a quem doer.

Desta forma, percebi que enquanto nos calássemos outros homossexuais estariam sofrendo e morrendo daquela mesma forma, por isso que na Igreja Cristã Contemporânea trabalhamos tentando reparar todo este mal feito pela homofobia religiosa a centenas de pessoas LGBT que tiveram as suas vidas destruídas pela religião.

Assim, nestes quatro anos de existência nossa denominação vem corajosamente denunciando a homofobia religiosa, mas não apenas isso; vem igualmente resgatando em progressão geométrica uma enorme quantidade de homossexuais que são fria e cruelmente excluídos de suas congregações, passando por transtornos pós-traumáticos que destroem por completo sua auto-estima e os conduz ao suicídio.

Muitas dessas pessoas chegam às Igrejas Cristã Contemporânea, oriundas desses meios religiosos, absolutamente flageladas, e nós as acolhemos defendendo um amor de Deus a todos, sem preconceitos de qualquer espécie. Desta forma, desde nossa fundação temos garantido o direito de homossexuais que desejam expressar sua identidade religiosa, em uma sociedade que entendemos dever ser democrática, pluralista e sob o ordenamento jurídico de um Estado Laico.

Explico melhor: a Igreja Cristã Contemporânea não defende que o mundo seja gay, nem deseja que aqueles que sejam heterossexuais tenham a sua orientação sexual revertida. Já os nossos detratores se pudessem nos imporiam (como ainda fazem na maioria de suas Igrejas) “tratamentos” violentíssimos de reversão que deixam traumas permanentes nas pessoas.

Se não defendemos um mundo gay, o que defendemos? Um mundo onde todos possam viver em paz e solidariedade, e onde as minorias como a nossa possam ser respeitadas. Ou seja: o mundo não é gay, mas nós somos e exigimos respeito. É o tempo de denunciarmos todas as práticas inaceitáveis de preconceito, discriminação e homofobia religiosa que são impunemente expressadas por religiosos homofóbicos ofendendo intoleravelmente a honra e dignidade de toda a comunidade LGBT.

Precisamos dar um basta nesta perigosa influência destes formadores de opinião que praticam preconceito, segregação e reação homofóbica em suas próprias igrejas, e dentro das quais possivelmente encontram-se cidadãos LGBT sem qualquer amparo ou possibilidade de expressão, devido a sua orientação sexual. Vamos dar as mãos e lutar para que sejam protegidos os direitos de cidadãos LGBT de forma a exercerem sua cidadania plena, independentemente de sua orientação sexual.

Pastor Marcos Gladstone - fundador e presidente das Igrejas Cristã Contemporânea

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pastor Malafaia ataca Dilma o PT e PLC 122 e defende Serra

Terça-feira, 12 de Outubro de 2010
ELEIÇÕES 2010
O Mala não faia!
Em defesa de Serra, pastor Silas Malafaia faz ataques ao PT, ao PLC-122, ao PNDH-3 e à legalização do aborto
por Valmir Costa
ReproduçãoUm dos 600 outdoors contra os gays espalhados no Rio de Janeiro pelo pastor homofóbico Silas Malafaia
SÃO PAULO – O pastor Silas Malafaia, fundador da igreja evangélica Associação Vitória em Cristo (Avec), divulgou um vídeo na última sexta-feira, 08, no seu site, no qual defende o candidato à presidência José Serra (PSDB-SP) e ataca a candidata Dilma Rousseff (PT-RS).
Para atacar a candidata petista, o pastor cita a posição favorável à legalização do aborto, que consta no Programa Nacional dos Direitos Humanos 3 (PNDH-3), e ao Projeto de Lei da Câmara 122/06 (PLC 122/06), que criminaliza a homofobia no Brasil.
De forma irônica, Malafaia diz que a autoria do PLC-122/06 é de uma deputada do PT Iara Bernardi, que não conseguiu se reeleger. “Se o movimento gay fosse tão poderoso e tão violento como eles [os gays] proclamam, essa mulher era para arrebentar de votos quando ela foi deputada e tentou a reeleição”, diz o pastor.
Ataque a Lula – Malafaia também cita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que, caso o PLC-122/06 passasse no Senado, ele não vetaria. “Se Lula não ia vetar, e Dilma?”, questiona. O pastor diz que a bancada do PT no Senado apoiava em peso “esta vergonha, esta aberração”, diz em relação ao projeto de lei que protege os homossexuais.
“Eu quero saber agora o que Dilma vai falar e o que o Serra vai falar. Eu não estou aqui para proteger ninguém”, diz para depois assumir seu voto para o candidato tucano. “Quem tem a competência para dirigir esse país? Para mim, é pessoal. Para mim, Serra é o mais preparado para ser o presidente dessa nação. O que chegar lá, independente do meu voto, eu vou orar por ele. Depois Malafaia se abstém ao dizer que não pede voto para o tucano. “Deus abençoe o Brasil, Deus abençoe você, que é livre para votar em quem quiser, mas analise bem e amanhã não chorar”, finaliza. Veja o vídeo:

Se o movimento gay fosse tão poderoso e tão violento como proclamam........diz Malafaia

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cruzada contra Dilma

Quarta-feira, 06 de Outubro de 2010
ELEIÇÕES 2010
Cruzada contra Dilma
Padre usa TV para pedir que eleitor não vote em Dilma Rousseff; Candidata diz ser a favor de marginalizados
por Redação MundoMais
Reprodução                    O padre José Augusto atacou Dilma Rousseff ao vivo
SÃO PAULO – O padre José Augusto usou ontem, 05, o canal de programação católica TV Canção Nova para pedir – ao vivo – que o eleitor cristão fundamentalista não vote em Dilma Rousseff (PT-RS) para presidente da República no segundo turno das eleições no próximo dia 31. Isso porque, segundo ele, o PT apoia a legalização do aborto e o “casamento” homossexual.
"O que tem me agitado são muitos e-mails que eu tenho recebido. E a questão é essa da eleição. E eu não posso deixar de falar também porque eu sou sacerdote de Nosso Senhor Jesus Cristo. Diante de tantos pastores se pronunciando, diante de tantos bispos se pronunciando, nunca vi uma eleição tão agitada como essa, nunca vi”, disse o padre que criticou o comunismo.
Segundo ele, é a favor da vida e contra o aborto. “Eu nunca vou celebrar casamento de homossexual. Podem me prender, podem me processar, podem me matar. Nunca vou celebrar porque a Igreja não quer e Bento XVI também não quer”, disse o padre no seu discurso fundamentalista sem fundamento civil, que ele finge esquecer.
A posição do dono da emissora – Após as declarações do padre, o fundador da Comunidade Canção Nova, o monsenhor Jonas Abib, divulgou uma nota com pedido de desculpas. Segundo ele, a TV "não vê cada candidato por suas bandeiras, mas os acolhe como filhos amados de Deus".
“Cada fiel deve votar de acordo com suas convicções e com a doutrina social da Igreja. Para este tempo, peço a cada um oração e silêncio. Acolhamos a todos. Rezemos para que eles possam conhecer a verdade. A Canção Nova não apoia candidatos ou partidos. Acolhe a todos. Por fim, peço em nome da Canção Nova, perdão por qualquer excesso. Nosso objetivo é promover o amor, nosso carisma maior", diz a nota.
Dilma rebate – Espremida entre católicos e evangélicos fundamentalistas, Dilma Rousseff disse ser favorável à vida e – indiretamente – aos homossexuais. “Sou de família católica e a favor da vida. Volto a afirmar que o meu projeto de governo voltado a pessoas marginalizadas [leia-se os homossexuais] é um projeto a favor da vida”, afirmou a candidata petista.

domingo, 10 de outubro de 2010

Gays protestam contra vice de Serra e homofobia

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Intenção de vetar projeto de lei que pune com prisão o preconceito causa indignação

Rio - A afirmação de que José Serra (PSDB), se eleito presidente, vai vetar o projeto de lei que transforma em crime a discriminação a homossexuais, feita por seu vice, Indio da Costa (PSDB), causou revolta entre militantes do movimento gay de todo o País.
>>> LEIA TAMBÉM: Babado forte em 140 caracteres, sobre a polêmica no Twitter
Indignados, os principais grupos de apoio a homossexuais do Rio se reúnem hoje para definir uma posição com relação ao candidato. Entidades nacionais serão consultadas para uma decisão conjunta e, na próxima terça-feira, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) também discute a possibilidade de fazer uma manifestação antes das eleições, de exigir a assinatura de um termo de compromisso ou divulgar carta de apoio à Dilma Rousseff (PT).
Pastor Silas Malafaia espalhou outdoors pela cidade: ‘A carapuça serviu?’ | Foto: André Luiz Mello / Agência O Dia
Como a coluna Informe do Dia mostrou ontem, Indio da Costa disse que ele e Serra atendem a um pedido de evangélicos. Segundo ele, o projeto de lei 122/2006 atenta contra a liberdade de expressão ao punir com prisão manifestações consideradas homofóbicas. Ontem, o pastor Silas Malafaia, da Associação Vitória em Cristo, admitiu que foi ele quem conversou com Indio, embora o candidato tenha divulgado ontem na internet que O DIA deturpou sua declaração. À noite, porém, Indio confirmou à Revista Veja sua posição.
“É uma lei esdrúxula, vergonhosa. Não é ser contra o direito dos homossexuais, é ser contra criminalizar quem é contra a prática homossexual”, disse o pastor Malafaia.
Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação da Presidência, Cláudio Nascimento classificou a decisão como conservadora e reacionária. “A lei é importante para a demarcação dos direitos dos homossexuais, nada diferente da proteção contra o racismo e a intolerância religiosa”.
Para o presidente da ABGLT, Toni Reis, há um mal entendido na interpretação da lei. “Respeitamos as crenças religiosas. O que não pode é fazer apologia à violência. E quem assume a presidência deve cumprir a Constituição e garantir que ninguém seja discriminado”.
Ativista e deputado estadual eleito, o ex-BBB Jean Wyllys também criticou a decisão da chapa de Serra. “Acho lamentável que os dois façam concessão a grupos fundamentalistas cristãos, em vez de garantir os direitos das minorias”.
Indio reafirma ser contra o projeto em entrevista a site

Apesar de ter criticado a manchete de ontem de O DIA — ‘Vice diz que Serra vai ser contra direitos dos gays’ —, à noite, Indio da Costa voltou a falar com um jornalista sobre o projeto e reafirmou sua posição em entrevista ao site da revista Veja, que foi ao ar às 20h50.

“Não somos contra os direitos dos homossexuais, mas não somos a favor que se criminalize, como propõe o PL 122, as pessoas que têm opinião contrária a essa prática”, afirmou Indio, que, na quarta-feira, ao lado da mulher de José Serra, Mônica Serra, participou de encontro com lideranças evangélicas. Na pauta, entre vários temas, discutiu-se a polêmica em torno do projeto e os evangélicos voltaram a pedir a ele que ajude a impedir a criminalização da homofobia no País.
Na mesma entrevista, Indio da Costa afirma que o texto da petista Iara Bernardi contém excessos e, caso seja aprovado, “haverá liberdade de expressão só para os gays”.

Candidato é polêmico e já foi alvo de CPI

Não é a primeira vez que o vice de Serra chama atenção por declarações e atitudes polêmicas ou ideias mirabolantes. Na campanha do 1º turno, por exemplo, Indio da Costa acusou o PT de ter ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).


Em julho, o candidato disse que mais de um milhão e meio de pessoas já haviam acessado documentos postados por ele em seu Twitter que comprovariam o envolvimento do partido do presidente Lula com os narcoguerrilheiros. “É papo furado essa conversinha de que não pode falar mal do PT”, afirmou. O partido recorreu à Justiça por conta das declarações.


Em 2005, Indio, então secretário municipal de Administração, foi alvo da CPI da Merenda, instalada na Câmara de Vereadores após reportagens de O DIA. O relatório final concluiu que a licitação causou prejuízo aos cofres públicos, mas a investigação foi arquivada pelo Ministério Público.


O candidato ainda responde na Justiça a processo movido por taxista que o acusa de causar acidente de carro na Barra, em 2003. O motorista ficou com sequelas.


Em 1997, o então vereador Indio da Costa quis proibir com um projeto de lei a prática de dar esmolas a mendigos. Propunha até mesmo o recolhimento a albergue de quem fosse flagrado, mas o projeto foi rejeitado por seus pares.

SILAS MALAFAIA : "ELES SÃO O GRUPO MAIS INTOLERANTE”

O pastor evangélico Silas Malafaia se declara uma barreira para os homossexuais. Admitiu que ligou para o vice de Serra, Índio da Costa, pedindo apoio para “não aprovar esse absurdo”.

1. O que o senhor pensa sobre o PL 122?
— Não sou a favor da violência contra homossexuais, mas sou contra criminalizar quem é contra a prática homossexual. Eles se dizem discriminados, mas são o grupo mais intolerante da modernidade porque não suportam críticas. Se meu filho tiver babá homossexual, quero poder demiti-la porque não quero que ele tenha esta orientação. Se homossexuais se beijarem no pátio da minha igreja, quero pedir para que saiam. E não quero ser punido com 3 a 5 anos de prisão.

2. Por que a iniciativa de pedir apoio a Serra?
— Não quero que meu presidente seja contra nenhum grupo, mas tenho que me posicionar. Disse a Serra que teria segundo turno e que a comunidade evangélica estava atenta às questões do aborto e do PL 122.

3. Qual a real mensagem no outdoor que espalhou pela cidade?
— A carapuça serviu? Eles não são a favor da família? Não são a favor da preservação da espécie humana? Não são macho e fêmea? São o que, andrógenos? É uma mensagem e cada um interpreta como quiser.

Autora: “Serra devia se posicionar”

Autora do projeto de lei 122, aprovado por unanimidade na Câmara e à espera de votação no Senado, a deputada federal Iara Bernardi, do PT de São Paulo, cobrou um pronunciamento público de José Serra sobre o tema.

“Ele é que deveria falar, se posicionar, e não colocar o seu vice para falar por ele, como se fosse um ventríloquo. Essa é mais uma bobagem que o Índio da Costa diz. Ele só fez isso nessa campanha”, criticou.
Segundo Iara, muitas mentiras sobre o projeto foram espalhadas na internet para difamá-lo e prejudicar sua tramitação no Senado. Mas ela está confiante na aprovação.

“Dizem que obriga igrejas a fazer casamento gay, mas não tem nada disso. Muitos senadores progressistas foram eleitos agora, tenho certeza que vão colocar o projeto de novo na pauta”, concluiu.

Reportagem de Celso Oliveira e Paula Sarapu