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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Brasil progride com a comunidade LGBT, diz pesquisadora venezuelana


Tâmara Adriane, professora da Universidade Central da Venezuela, traçou um panorama da garantia de Direitos Humanos para a comunidade LGBT
22/07/2011 - 07:01
Tamara Adriane, professora da Universidade Central da Venezuela (Fotos: Portal Infonet)

A advogada e professora venezuelana Tâmara Adriane foi uma das convidadas para participar do 1º Seminário Internacional em Direitos Humanos, Jurisprudência e Cidadania LGBT, que começou na quarta-feira, 20, e vai até esta sexta-feira, 22.

Ela veio à capital sergipana para falar sobre os temas ‘Transexualidade, Travestilidade e Saúde’ e ‘Linhas Gerais da Jurisprudência LGBT nos Tibunais de Proteção dos Direitos Humanos’, fazendo uma abordagem das questões na América Latina. Para o Portal Infonet, Adriane traçou um panorama do Brasil, em comparação com os países da América Latina, sobre os avanços que a comunidade LGBT conquistou nos últimos anos.

Portal Infonet – Qual é a situação atual dos direitos que a comunidade LGBT tem no Brasil em comparação com os demais países da América Latina?
Tamara Adriane - A situação do Brasil, não é a melhor neste momento, mas é uma situação de progresso. É um dos Estados que mais fez para a proteção internacional dos direitos LGBT em nível da OEA e da ONU. Neste momento, na América Latina, entretanto, os casais do mesmo sexo têm proteção completa e, quando eu falo completa, falo de matrimônio, com adoção, co-maternidade e co-paternidade. Isso é possível na Argentina e no Distrito Federal do México. No Uruguai há leis que preveem a adoção com co-partenidade. Uma situação parecida com a decisão do STF no Brasil ocorre na Colômbia, no Equador, onde há o direito do reconhecimento dos aspectos civis das uniões homoafetivas nas mesmas condições das heteroafetivas.
Tamara profere nova palestra sobre Direitos Humanos
Infonet - E com relação aos transexuais, a situação do Brasil também segue neste mesmo rumo?
TA -
Quanto ao reconhecimento dos direitos das pessoas transexuais, a situação do Brasil é intermediária. Neste momento, os países que têm mais avanços são México, também no Distrito Federal, e no Uruguai. Há, nesses lugares, leis onde uma pessoa transexual pode mudar de sexo na documentação sem a cirurgia genital. O reconhecimento é da identidade e não da genitalidade. O que acontece no Brasil é parecido com outros países da região, como Colômbia e Equador, onde uma pessoa transexual pode mudar o nome apenas depois da cirurgia. Praticamente 70% da população LGBT da América Latina é coberta neste momento por leis de verdade.

Infonet - E onde está, digamos, o atraso nessa questão?
TA -
Os países mais atrasados são os da America Central, Venezuela, Chile, Bolívia, Peru e Paraguai. No entanto, a Bolívia tem uma constituição que reconhece como a não discriminação contra as pessoas, especialmente por orientação sexual e questões de gênero.
Seminário começou na quarta-feira, 20, e vai até a sexta-feira, 22
Infonet – Apesar de o Brasil estar em uma situação intermediária, a comunidade LGBT não teve aprovada a lei que criminaliza a homofobia. Isso não é contraditório, posto que o país é visto como um dos que mais mata homossexuais?
TA -
A homofobia, a discórdia, é produto do ódio. As mulheres sabem muito bem o que é discriminação e ódio, que faz com que na América Latina todos os dias pelo menos uma mulher seja morta nas mãos de uma pessoa que diz amá-la. Eu te amo, então eu te mato. Essa situação não é diferente com os transexuais, as lésbicas e os homossexuais. A violência constante e agravada pela situação da orientação sexual tem as mesmas conseqüências das violências contra a mulher.

Temos 70, 80 anos lutando pela igualdade da mulher e contra a violência de gênero, mas ainda não foi possível evitar a violência, mas a mesma coisa acontece com o racismo. A diferença racial acabou na maioria dos países da América latina no século 19, e ainda hoje o racismo existe; a violência racista também existe. Os crimes de ódio contra as pessoas existem nos dois casos, a diferença é que neste momento, neste país, e na maior parte dos países do mundo, é muito mal visto dizer coisas contra as pessoas por causa da cor. Difundir a violência e o ódio por pessoas por causa da cor racial existe há muito tempo.
Isso, agora, neste século, é mal visto, é considerado um crime, um genocídio. Mas a violência contra a comunidade LGBT não é considerada por muitas pessoas no mesmo nível de ódio; não é considerada um mal. Não é ainda um crime verdadeiro para muita gente matar alguém por ser gay.

Infonet - E qual seria a saída para que esse quadro seja virado?
TA -
Temos que convencer as pessoas pela educação, de que nos podemos educar as pessoas para lidar com ódio. Durante toda a história se educou para o ódio contra os gays, as lésbicas, os negros. Nesse momento é necessário educar para a tolerância, para o respeito, do mesmo jeito que se educa para a tolerância pela cor. Somos mais de 10% da população de todos os países. Alguns falam de 15% a 25%, mas é uma minoria muito importante. Uma minoria maior que a maior parte das minorias sociais. Então, é necessário educar para a tolerância, para o respeito. É necessário aos educadores transmitirem que ninguém é igual, que todos são diferentes. É necessário e produtivo entender a diferença entre as pessoas.

Infonet – No Brasil, a visão é de que é necessário tornar o preconceito crime para que haja o respeito à diferença, assim como funciona hoje com a questão racial. Mesmo que haja um trabalho de educação, é necessária a criminalização?
TA -
Eu acredito que o agravante específico dos crimes de ódio, para todos os crimes de ódio, tem que existir. Se alguém agride, mata uma pessoa por origem racial, porque é mulher, porque é gay - ou porque percebe que é gay, porque pode ser real ou percebida; o que ocorreu em São Paulo é uma situação percebida, porque pensaram que pai e filho eram um casal gay -, esse crime de ódio tem que ter uma consequência especial, uma punição agravada, uma pena adicional ou particular por causa do ódio. Não é possível que possa existir uma sociedade em que se possa matar uma pessoa porque não gosta dela. Se eu n gosto de você, eu lhe mato. Eu não gosto porque você é gay, lésbica, então eu mato. Isso não é motivo. Mas se isso acontece, tem que haver uma resposta criminal particular. Mas o mais importante é a educação.

Entendo que um esquema de educação pode promover uma mudança social muito importante, tão importante como quando a mulher saiu das casas, da cozinha, para trabalhar, para entrar nas universidades, entrar no mundo político. Para que essa igualdade seja uma devida igualdade, nos precisaremos de muito tempo, porque o racismo ainda existe. Não é uma coisa que vai mudar de um dia para o outro.

Infonet – Mas há algum país latino com leis específicas para a discriminação à comunidade LGBT?
TA -
Sim, existem leis contra a homofobia nos países vizinhos como Bolívia, Uruguai. Há disposições mais restritivas na Argentina, e também no Equador. O México também tem leis que são contra a homofobia, expressamente.

Infonet – Então ao passo que o Brasil está em uma situação intermediária, também há atrasos?
TA -
Sim. Nesse aspecto o Brasil está atrasado. O Brasil reconhece direitos matrimoniais, mas n reconhece a co-maternidade e a adoção. Reconhece a identidade, mas só após a mudança de sexo. Isso não é suficiente de acordo com os tratados internacionais atuais. Não há uma lei que coíba a discriminação pela orientação sexual ou de gênero, como nos outros países da região. A lei colombiana, por exemplo, tem tribunais especiais para julgar discriminações sexuais.

Por Diógenes de Souza

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Manifestantes realizam passeata por lei contra homofobia em Brasília

Projeto de lei da Câmara torna crime discriminação por orientação sexual.
Passeata teve início às 9h em frente à Catedral de Brasília.

Do G1 DF
Manifestantes contra a discriminação participaram nesta quarta-feira (18), em Brasília, da II Marcha Nacional Contra a Homofobia. Os manifestantes pedem a aprovação no Congresso do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122. O texto torna crime atos de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero.
2ª Marcha Nacional Contra a Homofobia na Esplanada dos Ministérios (Foto: G1 DF) 
Manifestantes participam de ato contra a homofobia em frente ao Congresso Nacional; veja mais fotos (Foto: G1 DF)
A manifestação foi organizada pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Segundo os organizadores, 40 ônibus de todo os países trouxeram os manifestantes. Eles se concentraram em frente à Catedral de Brasília por volta de 9h e partiram em passeata até o Congresso Nacional.
Manifestantes caminham na Esplanada dos Ministérios (Foto: G1 DF)Marcha contra a homofobia na Esplanada dos
Ministérios (Foto: G1 DF)
“Queremos que o Congresso Nacional faça valer as nossas leis, assim como o Supremo Tribunal já fez”, afirmou a secretária geral da ALGBT, Irina Bacci.
À tarde, eles planejavam realizar um abraço simbólico no Supremo Tribunal Federal, que no começo de maio reconheceu a união estável entre homossexuais.
O Grupo de Pais de Homossexuais (GPH) esteve  à frente dos manifestantes durante todo o percurso. “Nós estamos aqui para dar apoio aos nossos filhos e a todos os pais de homossexuais também. Temos orgulho deles”, disse Jacinta Fonte, integrante do grupo.
Outras manifestações
Desde o começo da semana, diversos eventos foram realizados sobre o tema em Brasília. Na segunda-feira (16), a Universidade de Brasília (UnB) sediou um seminário sobre diversidade.
Na terça-feira (17), Dia Mundial de Combate à Homofobia, foi entregue a parlamentares um abaixo-assinado com 100 mil assinaturas de apoio ao PLC 122. À noite, cerca de 200 estudantes fizeram um 'beijaço' em protesto contra o preconceito sexual na UnB. Também foi realizada uma vigília pelas vítimas de homofobia no pátio da Biblioteca Nacional de Brasília.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Mais de 5 mil gays e um lindo arco-íris colorem Brasília na II Marcha Nacional LGBT

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Nesta quarta-feira, depois do VIII Seminário LGBT no Congresso Nacional, mais de 5 mil militantes e simpatizantes da causa LGBT marcharam em Brasília em agradecimento a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que regulamentou a união gay e pedindo ao Congresso Nacional que aprove o projeto de lei 122, que criminaliza a homofobia. A Esplanada dos Ministérios foi tomada por faixas e bandeiras do arco-íris, levadas por pessoas que vieram de caravanas de todas as regiões do país. No final do dia, um lindo arco-íris se formou em cima do Congresso, um prelúdio para a esperança dos LGBTs que pedem que o parlamento aprove o PLC 122, dando um basta no preconceito.

Os manifestantes estenderam as mãos e abraçaram o prédio do STF em agradecimento a decisão do dia 5 de maio. O evento também comemora o diz 17 de maio, Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia, que marca a retirada da homossexualidade da lista de doenças da Organização Mundial da Saúde, com a publicação da CID 10 em 1990.

Com o coro “Fora homofobia, homofobia fora, fora homofobia já chegou a sua hora”, os manifestantes pediam o fim da discriminação e a aprovação do projeto que criminaliza a homofobia, tornado crime qualquer insulto, discriminação ou violência motivada por orientação sexual. O PL 122 altera a lei do racismo, incluindo, além da discriminação por orientação sexual, a discriminação por gênero, e ainda o preconceito contra idosos e deficientes.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Associação LGBT entrega 100 mil assinaturas contra homofobia


Beto Oliveira
Seminário defendeu apoio a propostas em tramitação no Congresso.
O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (ABGLT), Toni Reis, entregou à presidente em exercício da Câmara, deputada Rose de Freitas, um abaixo-assinado com cerca de 100 mil assinaturas em apoio ao Projeto de Lei 5003/01, da ex-deputada Iara Bernardi, que criminaliza a homofobia. Aprovada pela Câmara em 2006, a proposta está no Senado (PLC 122/06).
“Somos a favor da liberdade de expressão, mas ninguém pode expressar opiniões que incitem a violência”, afirmou. As assinaturas também foram entregues à senadora Marta Suplicy, 1ª vice-presidente do Senado, para que sejam levadas ao presidente daquela Casa, José Sarney.
O ativista elogiou a campanha contra homofobia lançada ontem pelo governo do Rio de Janeiro. A medida faz parte do plano de combate à homofobia no estado, que prevê a aplicação de R$ 7 milhões por ano em ações contra a discriminação. Segundo Marta Suplicy, uma ação desse porte não é pouca coisa.
Eles participaram da abertura do 8º Seminário LGBT, realizado durante as comemorações do Dia Internacional de Luta contra a Homofobia. O evento, promovido pelo Congresso com o apoio da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), tem como slogan "Quem ama tem o direito de casar – Pela aprovação da PEC do Casamento Civil entre Homossexuais”.
O coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), está coletando assinaturas para apresentar esta PEC, de sua autoria, que prevê o casamento de pessoas do mesmo sexo. É necessário que 171 parlamentares subscrevam a proposta.
O seminário foi organizado pela Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT do Congresso Nacional e pelas comissões de Legislação Participativa; de Educação e Cultura; e de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.
Casamento civil
Jean Wyllys disse que a ideia de que o seminário tivesse como tema central a aprovação do casamento civil de homossexuais foi tomada antes da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu, no início deste mês, a união estável em relacionamentos homossexuais.
“Foi uma divisão de tarefas: na Câmara, a defesa do casamento; na marcha, o combate à homofobia”, disse em referência à Marcha Nacional LGBT que acontece nesta quarta-feira (18).
A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputada Manuela d'Ávila (PCdoB-RS), disse que a luta por direitos LGBT não inclui o casamento religioso entre homossexuais. “Cada igreja faz o casamento religioso segundo suas regras. Não queremos pautar nenhuma igreja, mas queremos que todos os cidadãos tenham a mesma lei”, afirmou.
Segundo a presidente da Comissão de Diversidade Sexual do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Adriana Galvão, a interpretação do STF sobre a união civil homossexual foi “construtiva”. Segundo ela, a decisão do Supremo não significa que o Congresso não deva legislar e aprovar o casamento homossexual.
Plano Nacional de Educação
A presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), afirmou que entidades LGBT e parlamentares terão audiência com o ministro da Educação, Fernando Haddad, hoje às 17 horas, para garantir que o projeto “Escola sem Homofobia” seja posto em prática.
Segundo ela, uma das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE) é sobre o convívio com as diversidades e o diálogo com as temáticas LGBT deve fazer parte do debate.
Manuela d'Ávila também disse que a comunidade LGBT precisa estar atenta às discussões do PNE. “É preciso que tenhamos uma escola que respeite o ser humano em sua diversidade”, disse. De acordo com ela, é preciso que a escola seja um espaço que reproduza a sociedade sem preconceitos, “em que queremos viver”.
A deputada Erika Kokay (PT-DF) criticou material produzido pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) contra uma cartilha do Ministério da Educação sobre combate à homofobia nas escolas. “Recurso público não pode ser usado para fomentar o ódio, mas para políticas públicas”, disse.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Ralph Machado

'Conservadorismo' no Congresso é obstáculo a direitos de gays, diz Marta


Vice-presidente do Senado disse que diálogo pode vencer resistências.
Ela participou do 8º Seminário LGBT, realizado na Câmara nesta terça.

Robson Bonin Do G1, em Brasília
A senadora Marta Suplicy e o coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), durante seminário na Câmara  (Foto: Agência Câmara) 
A senadora Marta Suplicy e o coordenador da
Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT,
deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), durante o
seminário na Câmara (Foto: Agência Câmara)
A vice-presidente do Senado, Marta Suplicy (PT-SP), afirmou nesta terça-feira (17) que o "conservadorismo de setores do Congresso" é o maior obstáculo à aprovação de leis para garantir direitos a homossexuais.
Relatora de um projeto que prevê punições para quem discriminar homossexuais, a senadora afirmou que trabalha por um diálogo que crie condições para a votação de um texto que, embora não seja o ideal, possa ser o “possível” de ser aprovado.
“O conservadorismo de setores do Congresso representa um grande desafio. Mas o parlamento é a capacidade de dialogar e tentar, senão o projeto ótimo, mas o que possa ser possível [de ser aprovado]”, afirmou Marta, que nesta terça participou da abertura do 8º Seminário LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais –, promovido pela Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT do Congresso Nacional. O evento será realizado durante as comemorações do Dia Internacional de Luta contra a Homofobia.
cantora Wanessa (Foto: Beto Oliveira/Agencia Camara) 
A cantora Wanessa Carmago na
abertura do 8º Seminário LGBT (Foto:
Beto Oliveira/Agencia Camara)
O projeto relatado por Marta Suplicy está em discussão na Comissão de Direitos Humanos do Senado e prevê punições para quem impedir manifestações de afetividade entre homossexuais em locais públicos, quem recusar ou sobretaxar a compra ou a locação de imóveis em razão de preconceito, ou quem, pelo mesmo motivo, prejudicar recrutamento, promoção profissional ou seleção educacional.
Parlamentares de alas conservadoras criticam a proposta por acreditar que ela poderia restringir o direito de culto e expressão.
Na quinta (12), a própria Marta Suplicy chegou a retirar a proposta da pauta da comissão para debater mais as divergências. Ao justificar a retirada da matéria, ela argumentou ter ficado impressionada com a rejeição por parte de igrejas cristãs, diante do temor de que a proposta poderia restringir liberdades de culto e de expressão.
Diante do impasse, a relatora incluiu no texto do projeto um adendo, segundo o qual as punições não seriam aplicadas à "manifestação pacífica de pensamento decorrente de atos de fé, fundada na liberdade de consciência e de crença".
Caso passe na Comissão de Direitos Humanos do Senado, o projeto seguirá para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e, se aprovado, para o plenário da Casa. Caso receba o aval do Senado, a matéria retornará à Câmara, uma vez que foi modificada pelos senadores.
Seminário
O evento promovido pela Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT do Congresso Nacional nesta terça (17) pretende debater temas como o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, a criminalização da homofobia e a necessidade de atuação do Legislativo nessas questões. O seminário também faz parte das comemorações do Dia Internacional de Luta contra a Homofobia.
O coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) afirmou que o seminário pode dar força à tramitação de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de sua autoria, que prevê o casamento de pessoas do mesmo sexo.
"Trata-se de uma Proposta de Emenda à Constituição que eu elaborei e estou colhendo assinaturas para poder iniciar a tramitação. É importantíssimo pensar isso junto com os deputados da frente e com os movimentos sociais”, afirma. Para apresentar a PEC são necessárias 171 assinaturas.
O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) promete participar do seminário para criticar pontos do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos do Ministério da Educação e Cultura (MEC), como o que chama de  “kit gay” - filmes e cartilhas contra a discriminação sexual que o MEC deve começar a distribuir nas escolas de ensino médio no segundo semestre.
Sobre possíveis manifestações contrárias aos temas defendidos pela frente parlamentar LGBT por parte do parlamentar do PP, Jean Wyllys disse que Bolsonaro será ouvido, caso tenha a intenção de falar durante o seminário.
"Se ele aparecer, será recebido como qualquer outro deputado. Vai ser ouvido, porque defendemos o amplo direito à liberdade de expressão. O que não pode é incorrer na insensibilidade ou ofensa ao público LGBT", disse Wyllys.

domingo, 15 de maio de 2011

Comemorações ao Dia Mundial e Nacional contra a Homofobia acontecem na Capital


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NotíciasMS/RC
Com o objetivo de chamar a atenção dos governos e da opinião pública, os Estados brasileiros promovem eventos em comemoração ao Dia Mundial e Nacional contra a homofobia que acontece na data de 17 de maio. A opressão, marginalização, discriminação e exclusão social de cidadãos e cidadãs LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) são focos do evento.
Diversos países também comemoram a data, que simboliza a decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 17 de maio de 1990, de desclassificar a homossexualidade como doença. 
Em Campo Grande, o Centro de Referência e Combate à Homofobia (CentrHo), ligado à Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), luta desde 2006 pelos direitos civis dos homossexuais, pelo combate à discriminação e homofobia e para o desenvolvimento das políticas de defesa dos direitos e da cidadania LGBT.
Mais informações pelo telefone: 3324-0763. 

sábado, 14 de maio de 2011

Teresina terá casamento gay coletivo em praça pública na segunda-feira

 Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/05/14/teresina-tera-casamento-gay-coletivo-em-praca-publica-na-segunda-feira-924464845.asp#ixzz1MLPVvyqH © 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.


TERESINA - Para aproveitar a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que reconheceu as uniões homoafetivas estáveis para aposentadoria, pensões e planos de saúde, gays do Piauí vão se casar nesta segunda-feira, na Praça João Luiz Ferreira, no centro de Teresina, em casamento coletivo organizado pelas entidades ativistas Grupo Matizes e Liga e Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) para lembrar o Dia Mundial de Combate à Homofobia.
A coordenadora geral do Grupo Matizes, Carmen Ribeiro, disse que partindo da ideia de que "gentileza gera gentileza", os militantes do Matizes e da LBL distribuirão flores para pessoas que estarão na praça no horário do ato.
Durante os casamentos gays haverá também apresentações artísticas, panfletagem e uma solenidade para lavratura de escritura pública de união estável de um casal de lésbicas.
Carmen Ribeiro disse que desde 2006 o Grupo Matizes realiza solenidades para registro coletivo de união estável entre pessoas do mesmo sexo, mas a de segunda-feira será diferente porque é a primeira vez que a solenidade ocorre em uma praça pública e a tabeliã do Cartório Themístocles Sampaio, de Teresina, estará na Praça João Luiz Ferreira para lavratura da escritura.
Segundo Carmen Ribeiro, Coordenadora Geral do Matizes, o objetivo da solenidade é dizer para a sociedade que as uniões homoafetivas são uma realidade e que casais de gays e de lésbicas se unem fundamentalmente pelo afeto, devendo ser respeitados em suas preferencias sexuais.
Ela falou que entre os anos de 1948 e 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificava a homossexualidade como um transtorno mental. Neste período, usava-se o termo "homossexualismo" para referir-se à orientação sexual de uma pessoa.
- Vale ressaltar que o sufixo 'ismo' significa 'doença', uma 'patologia - declarou Carmen Ribeiro.
Em 17 de maio de 1990, a assembleia geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou e oficializou a retirada do Código 302.0 (Homossexualismo) da CID (Classificação Internacional de Doenças), e declarou oficialmente que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio".
Carmen Ribeiro declarou que a partir deste fato histórico o Movimento LGBT Mundial tem priorizado a propagação mundial do termo "homossexualidade" em vez de "homossexualismo".
- Por esta razão, o dia 17 de maio tornou-se uma data simbólica e histórica para o Movimento LGBT Mundial que incentiva a promoção de eventos de conscientização pública em todas as regiões do planeta, visando chamar a atenção das pessoas, principalmente de autoridades públicas e políticas, inclusive gestores públicos, para a necessidade cada vez mais urgente de combater e exterminar a homofobia, em suas mais diferentes formas de manifestação e ação (homofobia, lesbofobia e transfobia) e, assim, evitar que cada vez mais pessoas inocentes da sociedade continuem sendo brutal e covardemente assassinadas por causa de suas orientações sexuais e/ou identidades de gênero - disse Carmen Ribeiro.
Ela falou que em 2010, segundo dados recentemente divulgados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), a homofobia matou, com extrema crueldade e violência, cerca de 260 homossexuais em território brasileiro.
- Esta, é uma realidade sangrenta que precisa ser extirpada - declarou.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

05/05/2011 20h30 - Atualizado em 05/05/2011 21h25

Supremo reconhece união estável de homossexuais

Casais gays podem ter assegurados direitos, como pensão e herança.
Em decisão unânime, ministros do STF defenderam os direitos de gays.

Débora Santos Do G1, em Brasília
Os ministros Ayres Britto, relator das ações sobre união homossexual, e Ricardo Lewandowski durante julgamento no Supremo (Foto: Dida Sampaio / Agência Estado) 
Os ministros Ayres Britto (dir), relator das ações
sobre união homossexual, e Ricardo Lewandowski
durante julgamento no Supremo (Foto: Dida
Sampaio / Agência Estado)

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, nesta quinta-feira (5) a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Na prática, as regras que valem para relações estáveis entre homens e mulheres serão aplicadas aos casais gays. Com a mudança, o Supremo cria um precedente que pode ser seguido pelas outras instâncias da Justiça e pela administração pública.
O presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, concluiu a votação pedindo ao Congresso Nacional que regulamente as consequência da decisão do STF por meio de uma lei. “O Poder Legislativo, a partir de hoje, tem que se expor e regulamentar as situações em que a aplicação da decisão da Corte seja justificada. Há, portanto, uma convocação que a decisão da Corte implica em relação ao Poder Legislativo para que assuma essa tarefa para a qual parece que até agora não se sentiu muito propensa a exercer”, afirmou Peluso.
De acordo com o Censo Demográfico 2010, o país tem mais de 60 mil casais homossexuais, que podem ter assegurados direitos como herança, comunhão parcial de bens, pensão alimentícia e previdenciária, licença médica, inclusão do companheiro como dependente em planos de saúde, entre outros benefícios.
Em mais de dez horas de sessão, os ministros se revezaram na defesa do direito dos homossexuais à igualdade no tratamento dado pelo estado aos seus relacionamentos afetivos. O julgamento foi iniciado nesta quarta-feira (4) para analisar duas ações sobre o tema propostas pela Procuradoria-Geral da República e pelo governo do estado do Rio de Janeiro.
Em seu voto, o ministro Ayres Britto, relator do caso, foi além dos pedidos feitos nas ações que pretendiam reconhecer a união estável homoafetiva. Baseada nesse voto, a decisão do Supremo sobre o reconhecimento da relação entre pessoas do mesmo sexo pode viabilizar inclusive o casamento civil entre gays, que é direito garantido a casais em união estável.
A diferença é que a união estável acontece sem formalidades, de forma natural, a partir da convivência do casal, e o casamento civil é um contrato jurídico formal estabelecido entre suas pessoas.
A lei, que estabelece normas para as uniões estáveis entre homens e mulheres, destaca entre os direitos e deveres do casal o respeito e a consideração mútuos, além da assistência moral e material recíproca.
Efeitos da decisãoA extensão dos efeitos da união estável aos casais gays, no entanto, não foi delimitada pelo tribunal. Durante o julgamento, o ministro Ricardo Lewandowski foi o único a fazer uma ressalva, ao afirmar que os direitos da união estável entre homem e mulher não devem ser os mesmos destinados aos homoafetivos. Um exemplo é o casamento civil.
“Entendo que uniões de pessoas do mesmo sexo, que se projetam no tempo e ostentam a marca da publicidade, devem ser reconhecidas pelo direito, pois dos fatos nasce o direito. Creio que se está diante de outra unidade familiar distinta das que caracterizam uniões estáveis heterossexuais”, disse Lewandowski.
“Não temos a capacidade de prever todas as relações concretas que demandam a aplicabilidade da nossa decisão. Vamos deixar isso para o caso a caso, nas instâncias comuns. A nossa decisão vale por si, sem precisar de legislação ou de adendos. Mas isso não é um fechar de portas para o Poder Legislativo, que é livre para dispor sobre tudo isso”, afirmou o relator do caso, ministro Ayres Britto.
"Esse julgamento marcará a vida deste país e imprimirá novos rumos à causa da homossexualidade. O julgamento de hoje representa um marco histórico na caminhada da comunidade homossexual. Eu diria um ponto de partida para outras conquistas", afirmou o ministro Celso de Mello.
Ministros do Supremo durante sessão sobre união entre homossexuais (Foto: Carlos Alberto / Imprensa STF) 
Ministros do Supremo durante sessão sobre união
entre homossexuais (Foto: Carlos Alberto /
Imprensa STF)
Julgamento

No primeiro dia de sessão, nove advogados de entidades participaram do julgamento. Sete delas defenderam o reconhecimento da união estável entre gays e outras duas argumentaram contra a legitimação.
A sessão foi retomada, nesta quinta, com o voto do ministro Luiz Fux. Para ele, não há razões que permitam impedir a união entre pessoas do mesmo sexo. Ele argumentou que a união estável foi criada para reconhecer “famílias espontâneas”, independente da necessidade de aprovação por um juiz ou padre.
“Onde há sociedade há o direito. Se a sociedade evolui, o direito evolui. Os homoafetivos vieram aqui pleitear uma equiparação, que fossem reconhecidos à luz da comunhão que tem e acima de tudo porque querem erigir um projeto de vida. A Suprema Corte concederá aos homoafetivos mais que um projeto de vida, um projeto de felicidade”, afirmou Fux.
“Aqueles que fazem a opção pela união homoafetiva não podem ser desigualados da maioria. As escolhas pessoais livres e legítimas são plurais na sociedade e assim terão de ser entendidas como válidas. (...) O direito existe para a vida não é a vida que existe para o direito. Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal”, afirmou a ministra Cármen Lúcia.
Preconceito
O repúdio ao preconceito e os argumentos de direito à igualdade, do princípio da dignidade humana e da garantia de liberdade fizeram parte das falas de todos os ministros do STF.
“O reconhecimento hoje pelo tribunal desses direitos responde a grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida. As sociedades se aperfeiçoam através de inúmeros mecanismos e um deles é a atuação do Poder Judiciário”, disse a ministra Ellen Gracie.
“Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo. Houve uma significativa mudança de paradigmas nas últimas duas décadas”, ponderou Joaquim Barbosa.
O ministro Gilmar Mendes ponderou, no entanto, que não caberia, neste momento, delimitar os direitos que seriam consequências de reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo. “As escolhas aqui são de fato dramáticas, difíceis. Me limito a reconhecer a existência dessa união, sem me pronunciar sobre outros desdobramentos”, afirmou.
Para Mendes, não reconhecer o direitos dos casais homossexuais estimula a discriminação. “O limbo jurídico inequivocamente contribui para que haja um quadro de maior discriminação, talvez contribua até mesmo para as práticas violentas de que temos noticia. É dever do estado de proteção e é dever da Corte Constitucional dar essa proteção se, de alguma forma, ela não foi engendrada ou concedida pelo órgão competente”, ponderou.
Duas ações
O plenário do STF concedeu, nesta quinta, pedidos feitos em duas ações propostas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo governo do estado do Rio de Janeiro.
A primeira, de caráter mais amplo, pediu o reconhecimento dos direitos civis de pessoas do mesmo sexo. Na segunda, o governo do Rio queria que o regime jurídico das uniões estáveis fosse aplicado aos casais homossexuais, para que servidores do governo estadual tivessem assegurados benefícios, como previdência e auxílio saúde.
O ministro Dias Toffoli não participou do julgamento das ações. Ele se declarou impedido de votar porque, quando era advogado-geral da União, se manifestou publicamente sobre o tema.

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/05/supremo-reconhece-uniao-estavel-de-homossexuais.html 

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Estudantes fazem ato contra homofobia no campus da UFMG. O evento reuniu cerca de 150 pessoas.

BELO HORIZONTE (MG) - Um ato contra a homofobia reuniu cerca de 150 pessoas, nesta quarta-feira (27), em frente ao gramado da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no campus Pampulha, em Belo Horizonte. Com a proposta de darem um ‘Beijaço Gay’, expressão que batizou o evento, universitários e simpatizantes da luta pela diversidade sexual marcaram um ponto de encontro pela internet. Alguns casais homossexuais cumpriram o combinado e deram beijos em protesto contra o preconceito.
Acho legal, para mostrar que não tem diferenças, falou Isabela, de 23 anos. Ela e a namorada Marcela, 30 anos, não estudam no campus, mas compareceram. Disseram que não sofrem preconceito entre familiares e amigos, mas uma delas já foi reprimida ao beijar dentro de um shopping. Um segurança pegou no meu braço e disse que aquilo não era coisa para fazer em um ambiente familiar, lembrou Marcela.Na concentração, os idealizadores falaram sobre a intenção do ato simbólico promovido após uma denúncia recente de agressão contra homossexuais dentro do campus. A gente espera que seja um incentivo para quem ainda tem vergonha de se beijar em público, falou Isadora Lima, de 21 anos, que estuda psicologia na UFMG. Vindo de outra faculdade de Belo Horizonte, Pedro Queiroz, 21, participa de discussões do Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (Gudds) e ajudou a criar o movimento. Perguntado sobre o impacto que o ‘Beijaço Gay’ poderia causar, respondeu que é importante tratar com mais naturalidade a homossexualidade. Choca, mas isso vem do fato de que é alguma coisa que as pessoas não querem ver, mas existe, falou.



Na concentração, os idealizadores falaram sobre a intenção do ato simbólico promovido após uma denúncia recente de agressão contra homossexuais dentro do campus. A gente espera que seja um incentivo para quem ainda tem vergonha de se beijar em público, falou Isadora Lima, de 21 anos, que estuda psicologia na UFMG. Vindo de outra faculdade de Belo Horizonte, Pedro Queiroz, 21, participa de discussões do Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (Gudds) e ajudou a criar o movimento. Perguntado sobre o impacto que o ‘Beijaço Gay’ poderia causar, respondeu que é importante tratar com mais naturalidade a homossexualidade. Choca, mas isso vem do fato de que é alguma coisa que as pessoas não querem ver, mas existe, falou.
O bancário Marcos, 40 anos, e o mestrando Gilberto, 23 anos, namoram há três anos. A gente quer igualdade, disse Gilberto. Para o namorado, não surpreende ouvir relatos de violência do tipo, dentro do ambiente acadêmico. É um reflexo da sociedade, se existe preconceito fora da universidade, vai existir dento também. Mas é lamentável, falou.
Um grupo de estudantes do curso de Publicidade levantou cartazes com a mensagem ‘eu sou gay’. Viemos trazer a mensagem de tolerância. Ao dizer ‘eu sou gay’ estamos assumindo o compromisso com a diversidade, falou Jullie Utsch, de 18 anos.
Os integrantes do grupo não se definiram como homossexuais e disseram que a mensagem é de apoio. Não é para chocar, é para responder de uma forma diferente, com afetividade, à atitudes de homofobia, falou Marcos Antunes, de 17 anos.
A presença de um repórter drag queen causou alvoroço. Vim cobrir e a animação acabou caindo na minha mão, brincou Malonna, personagem do estudante André Silva, de 25 anos. Ele é ex-aluno de artes visuais da universidade e faz parte da equipe de um programa independente. É uma ação política, que tira da invisibilidade a relação homoafetiva, falou Mallona ao definir o evento. A drag queen fez a contagem para o beijo.
Logo após o ato, a universidade informou por meio de uma assessora de imprensa ‘que é radicalmente contra a homofobia e que apoia o ato realizado no campus. Ainda segundo a assessora, que acompanhou o desfecho do ‘Beijaço Gay’, uma comissão dentro da universidade já ouviu um casal masculino, que denunciou ter sido vítima de agressão física durante uma calourada no campus. Sobre este caso de violência que incentivou a manifestação, a UFMG informou que procede com as apurações, que devem ser concluídas num prazo de 30 dias, a contar da abertura da sindicância no dia 15 abril. O prazo pode ser prorrogado por mais 30 dias.


                                                              http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=2171

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Alunos gays de Portugal estrelam campanha contra a homofobia.

Estrelas gays

por Redação MundoMais

Uma aluna lésbica ou aluno gay cercado dos colegas de turma. Uma frase dizendo que está todo mundo bem com o fato de eles serem homossexuais. Assim é a campanha contra o bullying escolar, lançada em Portugal.
Além das peças digitais e cartazes, a Rede Ex Aequo, responsável pela campanha, disponibiliza no seu site material educativo para promover a inclusão social nas escolas portuguesas.
Um desses materiais é voltado para os professores. Também está disponível um conteúdo esclarecendo dúvidas sobre o assunto e colocado um e-mail à disposição para contato com os internautas.
Material educativo da Rede Ex Aequo: www.rea.pt/arquivo/professores.pdf
E-mail: geral@rea.pt
Website: www.rea.pt




http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=2169

quarta-feira, 30 de março de 2011

Congresso ganha frente parlamentar para lutar por união homossexual


Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
30/03/2011 | 09h44 | LGBT




 A Frente Parlamentar Mista pela Cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) foi instalada terça-feira no Congresso Nacional com a prioridade de tentar aprovar a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Entrincheirada contra a proposta estará outra frente, a dos evangélicos, inimigos declarados das posições defendidas pelo grupo criado terça-feira.

Projeto legalizando o casamento gay tramita no Congresso. O secretário-executivo da Frente Evangélica, o pastor Elias Castilho, afirma que será o primeiro a ser preso caso o texto seja aprovado. “Ninguém vai me obrigar a casar pessoas do mesmo sexo”, diz, afirmando que, na Bíblia, está claro que o casamento deve ser realizado entre homens e mulheres.

O coordenador da Frente LGBT , Jean Wyllys (PSOL-RJ), afirma que os evangélicos estão acostumados a “rasgar a Constituição”. “Fazem isso não só ao tentar impedir a união de casais do mesmo sexo, já que isso está previsto na legislação, como ao ir contra o abatimento de despesas de parceiros no Imposto de Renda”, argumenta.

A criminalização da homofobia, prevista também em projeto em tramitação no Congresso, é defendida pelo grupo. “A frente tem de cara o objetivo de tocar esse projeto (de criminalização da homofobia) no Senado e tocar na Câmara a PEC do casamento civil entre homossexuais”, disse Wyllys, que em seu primeiro discurso na Casa já havia defendido o direito à união civil entre pessoas do mesmo sexo. É mais um ponto de discórdia com os evangélicos. “Se estou em um shopping e um casal gay está se beijando, e eu retiro minha filha para que não veja aquilo, levo três anos de prisão”, reagiu Elias.

Conforme Jean Wyllys, a luta pelos direitos homossexuais será pesada. “É quase David e Golias. Eu sou o único deputado gay assumido neste Congresso Nacional”, declarou o parlamentar, depois de afirmar que vem sofrendo ameaças pela internet. O parlamentar fez uma denúncia formal à Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Ao menos em números, entretanto, a frente gay tem mais peso que a evangélica: são 171 integrantes, contra os 72 integrantes do grupo dos religiosos.

A frente terá reuniões quinzenais no gabinete da Vice-Presidência do Senado para definir pautas e a demanda do movimento LGBT.

Integrantes das frentes parlamentares Evangélica e LGBT já se estranharam por diversas vezes, ao debaterem questões relativas ao direito dos homossexuais. Uma das polêmicas diz respeito à distribuição pelo Ministério da Educação de kits que serão entregues a 6 mil escolas públicas de ensino médico com o objetivo de combater o preconceito contra homossexuais.

No kit, há uma cartilha e três vídeos de cerca de cinco minutos: um sobre transexualidade, um sobre bissexualidade e outro a respeito de duas jovens lésbicas. O conteúdo do material não foi divulgado pelo ministério, e o uso do kit na escola é opcional.

Por Leonardo Augusto, do Estado de Minas

http://www.diariodepernambuco.com.br/nota.asp?materia=20110330094421

segunda-feira, 21 de março de 2011

Reportagem do Esporte Espetacular mostra história de Valério, árbitro de futebol que também é travesti.

“Ele é minha amiga”

por Redação MundoMais

Valério, o árbitro. Valério, o árbitro.

Valeska, travestida. 
Valeska, travestida.



 O Esporte Espetacular, da Rede Globo, exibiu na manhã deste domingo, 20, a história de coragem e vitória de Valério (ou Valeska), 32 anos, e árbitro de futebol amador.
“Você pode me chamar como queira, eu aceito qualquer nome, Valério ou Valeska, desde que me respeite, só isso. Só exijo isso” – diz para a reportagem no intervalo de um jogo em Beberibe, Ceará, cidade a 80km de Fortaleza.
Além de árbitro, Valério também coordena um projeto social chamado “Jovem Guia”, no qual ensina a jovens a profissão de guia turístico.
Na segunda parte da reportagem, ele mostra o seu outro lado, arrumando-se e transformando-se em Valeska.
“O preconceito na realidade nunca vai acabar. O preconceito anda junto com o amor, com o ódio e com a alegria. Não sei até quando vai o preconceito, mas eu não tenho medo dele. Eu o encaro como tudo na vida, como se fosse uma partida de futebol” – declara ao final da reportagem, que fecha com a mensagem “não ao preconceito” escrita em areia.
A reportagem deve ser encarada como uma vitória contra o preconceito, sempre presente neste esporte que é um dos mais machistas do mundo.

http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=2072

Funcionários do TRE poderão incluir companheiros homossexuais em benefícios.

Avanços na Previdência Social

por Redação MundoMais


O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) deu um grande passo contra o preconceito. O presidente em exercício da Corte, desembargador Sérgio Lucio de Oliveira Cruz, vai regulamentar os direitos previdenciários dos servidores que vivem em união homoafetiva estável.
A decisão final será dada após uma votação no Plenário do TRE-RJ, composto por sete membros, e permitirá por exemplo, que os funcionários incluam seus companheiros no plano de saúde.

http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=2073

Drag Queens reúnem-se em partida de futebol contra a discriminação, na zona oeste de São Paulo.

Futebol das Drags

por Redação MundoMais

Silvetty Montilla, em sua atuação como juízaSilvetty Montilla, em sua atuação como juíza
Mais uma vez, atitudes de luta social ganham as ruas de São Paulo. O Futebol das Drag Queens aconteceu ontem, numa rua da Barra Funda (zona oeste), e reuniu crianças, gestantes e casais (homo e héteros) para assistirem à partida.Os organizadores e visitantes reconhecem que, além da diversão, o evento promove a diversidade sexual em São Paulo.
A atividade faz parte do calendário oficial da cidade e, no ano passado, atraiu cerca de duas mil pessoas, entre torcedores e fãs. A partida reúne times formados por drags, personalidades da noite e seus amigos, e o encerramento conta com shows e DJs da cena LGBT paulistana.
"É um evento interessante para divulgar a cultura gay", diz Denis Araújo, 38, enquanto assiste ao início da partida. Ele conta que participa do evento desde sua primeira edição, há 15 anos.
Um palco foi montado ao lado do campinho, para complementar a festa, que movimenta o comércio local. Após alguns minutos de jogo, a drag Michelly Summer faz a primeira apresentação, apostando no sertanejo.
A partida torna-se quase que secundária na festa, e algumas das regras do futebol são esquecidas. As drags do meio de campo não hesitam em pegar a bola com as mãos. A famosa transformista Silvetty Montilla atuou como juíza, arrancando boas gargalhadas do público com seus comentários. A platéia também contribuiu com a arbitragem.
O evento começou como uma forma de comemorar o aniversário da boate Blue Space, e ganhou forças com ações contra a homofobia, tendo apoio estrutural da Prefeitura de São Paulo.

http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=2075

sexta-feira, 11 de março de 2011

Ariadna faz revelações



Saiba o que acontece após a transformação através da experiência bem-sucedida da ex-BBB.
por Redação MundoMais

Ariadna em ensaio para o site <em>Paparazzo</em>Ariadna em ensaio para o site Paparazzo


Quem não se lembra da mais famosa transex brasileira, Roberta Close? Sim, a moça ficou famosa ao estampar a capa de uma revista masculina em 1984. E agora, Ariadna Thalia Arantes, também famosa por ser ex-confinada do reality show global, repete o feito. Este mês a cabeleireira publica fotos mais que insinuantes, provando que depois da cirurgia de mudança de sexo que fez em 2001, está realizada e feliz com o corpo. Operei na Tailândia com um médico indicado por uma amiga e assim que acordei da anestesia me lembro da alegria que senti ao conferir que tudo tinha sido feito mesmo (risos), revela.
A morena afirma que só faltava o procedimento para sentir-se mulher de verdade. Mudou um pouco de tudo: minha personalidade, meus desejos e a forma de viver. Hoje tenho qualidade de vida e tudo se transformou para melhor, confessa.
Segundo Ariadna, o procedimento e o pós-cirúrgico foram bem tranquilos e ressalta que não sentiu dor. A ex-BBB afirma que não teve nenhuma consequência no pós-operatório. Hoje, vou ao ginecologista como uma mulher normal, faço controle hormonal para ver se está tudo certo no canal vaginal e na uretra e minha vida depois da participação no programa está repleta de oportunidades, com novos trabalhos e o carinho do público que eu adoro. Ariadna promete aproveitar o espaço e quer seguir carreira como modelo fotográfica e de passarela, além de fazer um curso de teatro futuramente.
Para o urologista Carlos Adib Cury, pioneiro em cirurgias de mudança de sexo no Brasil, o País vem evoluindo nessa área, embora esteja atrasado 50 anos em relação à Europa porque o procedimento era proibido por aqui até 1998. O médico, que tem 40 anos de profissão e uma centena de cirurgias realizadas, traz à tona a realidade nacional: Há um transexual masculino para cada 30 mil homens e um transexual feminino para cada 100 mil mulheres. É preciso aceitar e respeitar o desejo de cada um. Embora muitos transexuais já tenham conseguido o novo registro civil com mais facilidade após o procedimento, ainda existe muito preconceito. Cerca de 10% da população brasileira é homossexual, bissexual ou travesti. Já os transexuais são raros. A diferença é que o travesti se veste de mulher, mas traz trejeitos masculinos, assim como uma agressividade típica, enquanto o transexual é mulher, explica.
Quanto ao prazer, o cirurgião afirma que o feixe vásculo nervoso do pênis é preservado em toda sua extensão, e transformado em um clitóris. Colocamos a glande no fundo da vagina que está sendo construída, preservando assim toda a sensibilidade. No caso das mulheres, elas tomam hormônios masculinos que aumentam de volume o clitóris cerca de 4 a 5 cm e na cirurgia ele é solto da vagina, proporcionando e mantendo a sensibilidade e o prazer.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Justiça reconhece união estável de casais homoafetivos


 

 No dia 27 de janeiro de 2011 o juiz titular da 4ª Vara da Família, Dr. Antônio de Paiva Sales, deu sentença favorável à agente comunitária de saúde M.T.O.C., cujo nome é mantido em sigilo  por proteção da parte, quando esta alegava reconhecimento de união homoafetiva pós- morte.
M.T.O.C. provou que conviveu em união afetiva pública contínua e duradoura com M.C.A.C., já falecida, desde 1998. O casal construiu patrimônio comum, uma casa com móveis, que após o falecimento da requerida, os familiares desta tentaram tomar. Por fim, a sentença foi dada mediante às comprovações de que a relação existia, pois a requerente M.T.O.C. obtinha documentos pessoais em seu poder e testemunhas que presenciaram a união, portanto, o que pertencia a “de cujus” passou a ser da companheira por direito.
Em dezembro de 2009, outra união estável de pessoas do mesmo sexo foi reconhecida e beneficiada. A juíza Ana Victória Muylaert Dias, que estava auxiliando a 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública, deu parecer favorável a I.S. em uma ação de concessão de pensão por morte com pedido de antecipação dos efeitos da tutela em face do Instituto de Assistência e Previdência do Estado do Piauí- IAPEP, que consentiu o pagamento integral da pensão por morte, decorrente do falecimento de seu companheiro E.P.S., após ser comprovado a convivência com o este há mais de 5 anos. O requerente I.S. foi o único dependente a fazer jus da pensão, pois E.P.S. não deixou filhos menores e nem dependentes incapazes, estando também, divorciado desde junho de 2002, quando já moravam juntos sob o mesmo teto.

Gays e Lésbicas participam do Corso de Zé Pereira da cidade de Teresina

O Grupo Matizes participará hoje do Corso de Teresina. Militantes da causa LGBT e apoiadores do Grupo levarão toda a animação da tribo da diversidade. Com o tem "Recicle suas ideias e atitudes, a intenção é problematizar sobre a responsabilidade ambiental como um imperativo para o exercício da cidadania e para a construção de um planeta sustentável.

A veia criativa do artista Beto Pirilampo levará para a avenida uma decoração à base de material reaproveitado, reciclado ou que provoque pouco impacto ambiental. Capemba, palha de coco, plástico reciclado, garrafas pet serão a base da decoração.
Para Carmen Ribeiro, Coordenadora do Matizes, a participação no Corso é uma das prioridades eleitas pelo Grupo em 2011. "O Corso é uma das manifestações culturais mais populares de Teresina. Por isso, é importante estarmos presentes levando para as ruas mensagens de combate à discriminação e o sonho de construção de um mundo melhor, mais sustentável e diverso", explica a Coordenadora.
Este ano, além de militantes do Matizes e da Liga Brasileira de Lésbicas, são esperados ambientalistas e representantes de segmentos sociais que lutam contra a discriminação.

Contra a violência doméstica

Rio Grande do Sul

Juiz de Rio Pardo aplica a Lei Maria da Penha para caso de violência doméstica de casal gay.
por Redação MundoMais

O juiz de Rio Pardo (a 144 km de Porto Alegre), Osmar de Aguiar Pacheco, concedeu medida de proteção a um homem que afirma estar sendo ameaçado pelo seu companheiro. A medida impede que ele se aproxima a menos de 100 m da vítima. O magistrado afirmou que, embora a Lei Maria da Penha tenha como objetivo a proteção das mulheres contra a violência doméstica, todo aquele em situação vulnerável pode ser vitimado.
Osmar Pacheco afirmou ainda que o artigo 5º da Constituição (todos são iguais, sem distinção de qualquer natureza) prevê que, em situações iguais, as garantias legais valem para todos. No caso deste casal homossexual, disse o juiz, "todo aquele que é vítima de violência, ainda mais a do tipo doméstica, merece a proteção da lei, mesmo que pertença ao sexo masculino". Segundo o Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, o autor da ação alega ser vítima de atos motivados por um relacionamento recém terminado.
Em sua decisão, o magistrado também observou que a união homoafetiva deve ser vista como fenômeno social, merecedor de respeito e de proteção efetiva com os instrumentos contidos na legislação.

http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=2021

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

21/02/2011 - Selo “Faça do Brasil um Território Livre da Homofobia” é lançado em São Paulo

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Para comemorar e divulgar a inclusão da homofobia entre as denúncias recebidas pelo disque 100 – Disque Direitos Humanos da Secretaria especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH)- a ministra Maria do Rosário Nunes lançou neste sábado em São Paulo, na Casa das Rosas, a marca “Faça do Brasil Território Livre da Homofobia”. A cerimônia foi seguida por uma passeata que mobilizou cerca de 5 mil pessoas que marcharam pela Avenida Paulista, na Marcha contra a homofobia.

Por um erro de comunicação, foi divulgado que o nome da campanha seria “Brasil Território Livre da Homofobia”, o que gerou uma série de mal entendidos. O título errado foi divulgado pela própria assessoria da Secretaria de Direitos Humanos foi considerado enganoso e ofensivo, já que o país é o recordista mundial de assassinatos de homossexuais e não há lei alguma para promover a igualdade de direitos entre homos e héteros. “Protesto, protesto veementemente com esta farsa..."BRASIL TERRITÓRIO LIVRE DA HOMOFOBIA" dá a entender que vivemos na Suécia, enquanto "há algo de muito podre no reino da Dinamarca..." afirmou o decano do movimento gay, Luiz Mott, Doutor em sociologia, citando Shakespeare em uma lista da internet. O erro foi corrigido no site oficial do ministério mas a imprensa divulgou o título do adesivo errado. Durante o sábado, o selo foi colado nos locais onde em novembro do ano passado uma série de ataques a homossexuais na Avenida Paulista chocou o país.

"Queremos alertar a sociedade brasileira sobre a violência cometida contra homossexuais em nosso país e incentivar a denúncia. Um país democrático e de direitos não pode conviver com a intolerância. Precisamos respeitar a diversidade", afirmou a ministra da SEDH em nota. O selo será utilizado para marcar os locais onde gays sofreram agressões e será usado para divulgar o novo serviço de denúncias oficial que registrou mais de mil reclamações sobre homofobia apenas em 2011. São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná são os estados onde há mais denúncias de homofobia registradas no serviço.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Marcha contra a Homofobia

Com os termômetros da Avenida Paulista marcando 32 graus, cerca de 1500 pessoas compareceram na tarde deste sábado (19) à Marcha Contra a Homofobia, organizada pelo grupo virtual Ato Anti-Homofobia. A manifestação teve início às 15h e terminou por volta das 19h, em frente ao número 777, onde jovens foram agredidos com lâmpadas fluorescentes em novembro do ano passado. Um dos objetivos é protestar contra o arquivamento do Projeto de Lei nº. 122 (mais conhecido como PLC 122), que propõe a criminalização da homofobia.
A manifestação, que também pediu a aprovação no Senado, do projeto de lei que torna crime a discriminação contra homossexuais, idosos e portadores de deficiência física, contou com a presença da senadora Marta Suplicy (PT-SP) e da ministra Maria do Rosário, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, além dos deputados federais Ivan Valente (Psol-SP) e Jean Wyllys (Psol-RJ),e do deputado estadual Carlos Giannazi (Psol-SP).
A senadora Marta Suplicy criticou a lentidão do Legislativo na aprovação de direitos a gays, lésbicas e travestis. Ela acredita que o projeto de lei (PLC 122/06), que o Senado desarquivou no último dia 8, deve ser aprovado pela Casa. Nós vimos um retrocesso no Congresso nos últimos anos. O Legislativo tem se unido e se acovardado sobre essa questão e não vamos sossegar enquanto não abolirmos do Brasil atos de violência desse porte. Junto da sociedade civil vamos conseguir a aprovação do projeto, afirmou.
A homofobia não age sozinha, ela vem junto do preconceito, e é também contra isso que devemos nos posicionar, disse o deputado federal Jean Wyllys, um dos representantes da causa gay no Congresso, que acredita ainda que a luta contra a homofobia deve ser pluripartidária.
O historiador Augusto Patrini, 32 anos, um dos organizadores da marcha, afirmou que a bancada religiosa no Congresso tenta desqualificar o projeto de lei que, segundo ele, não se limita aos direitos de homossexuais, mas também aos deficientes e portadores de deficiência física. Existe uma leitura errada do projeto e também má fé dos deputados da bancada conservadora, além dos demais parlamentares que não se posicionam claramente sobre a proposta. O que a gente pede é o mínimo, que é criminalização de atos contra as minorias , disse.
Neste sábado, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do governo de Dilma Rousseff, lançou na capital paulista o selo Brasil Território Livre da Homofobia, que tem como objetivo divulgar o Disque Direitos Humanos (Disque 100) voltado para a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). A ministra participou de um trecho da marcha e disse que o governo trabalhará na garantia dos direitos humanos. O Brasil deseja e o Brasil será um território livre de homofobia. Nós não aceitamos a homofobia, afirmou a ministra durante a passeata.
Chamou a atenção a participação de um grupo de skinheads no ato. Muitos deles faziam questão de deixar claro que os preconceituosos são "os carecas" e que eles, skinheads, nada têm nada contra os homossexuais. Em dado momento, Monica, que se identificou como "lésbica e skinhead", quis enfatizar que seu grupo não discrimina gays.
Por volta das 18h, o carro de som estacionou em frente ao número 777 da avenida Paulista e, nesse momento, algumas pessoas puderam discursar. Durante a manifestação, um grito de guerra foi considerado o mais criativo por Marta Suplicy e Jean Wyllys: "Se até a cachorra é laica, por que o Estado não é?".